Após 13 anos no poder, Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou neste domingo (10/11), após as Forças Armadas “sugerirem” que ele deixasse o cargo. Morales governava o país desde janeiro de 2006.

“Houve um golpe cívico, político e policial. Meu pecado é ser indígena, líder sindical e plantador de coca”, disse o agora ex-presidente boliviano, ao comunicar sua decisão em um pronunciamento na televisão ao lado do seu então vice-presidente, Álvaro García Linera.

Morales justificou sua renúncia para evitar a continuação da violência no país após três semanas de confrontos entre seus apoiadores e críticos. “A vida não acaba aqui, a luta continua”, afirmou no final de seu discurso.

García Linera disse que também estava deixando o seu cargo. “O golpe foi consumado”, afirmou Linera. A terceira na ordem de sucessão era a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, que também anunciou sua renúncia. O quarto, Victor Borda, presidente da Câmara dos Deputados, também renunciou.

O artigo 169 da Constituição boliviana diz que, “em caso de impedimento ou ausência permanente do presidente do Estado, será substituído no cargo pelo vice-presidente e, na ausência deste, pelo presidente do Senado, e na ausência deste, pelo presidente da Câmara dos Deputados. Neste último caso, novas eleições serão convocadas no prazo máximo de noventa dias”.

Em declarações à emissora de televisão Unitel, a segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, disse que estava disposta a assumir temporariamente, se necessário, diante das renúncias em série. “Na ordem constitucional, seria minha responsabilidade assumir esse desafio com o único objetivo de convocar novas eleições”, afirmou.

No entanto, como a própria Áñez esclareceu, o Legislativo deveria ser consultado para levar em conta as renúncias e resolver a questão de quem deve assumir a Presidência.

Forças Armadas haviam ‘sugerido’ renúncia a Morales

Pouco antes de Morales renunciar, as Forças Armadas haviam pedido que Morales abrisse mão de seu mandato para permitir a pacificação e manutenção da estabilidade do país.

O comandante das Forças Armadas da Bolívia, general Williams Kaliman, divulgou um comunicado em que falou que a saída de Morales seria importante para resolver o impasse na crise política em que se encontra o país desde as controversas eleições presidenciais, em 20 de outubro.

Segundo o comunicado, o pedido foi feito a Morales levando em consideração “a escalada de conflitos que o país atravessa”, em nome da “vida e da segurança da população” e para garantir o “império da condição política do Estado, de acordo com Artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e após análise da situação interna de conflito”.

Depois de quase três semanas de protestos nas ruas contra os resultados que haviam dado a Morales um novo mandato até 2025, o presidente boliviano havia anunciado na manhã de hoje novas eleições. Essa medida, no entanto, não acalmou os manifestantes e foi considerada insuficiente pelas Forças Armadas.

O presidente anunciou a nova votação, embora sem uma data para que fosse realizada, após um relatório preliminar de auditoria da eleição de outubro feito pela Organização dos Estados Americanos (OEA) apontar ter identificado várias “irregularidades”.

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