Bolsonaro faz desnecessária provocação à China

Em meio à corrida mundial por mais doses de vacinas – e diante da incapacidade do governo federal de garantir o aumento do ritmo de imunização da população -, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a lançar, nesta semana, uma desnecessária provocação à China, uma das maiores produtores de insumos para imunizantes e responsável pela CoronaVac, aplicada em larga escala no Brasil.

Em discurso no Palácio do Planalto, o presidente sugeriu a possibilidade de existência de uma “guerra química, bacteriológica e radiológica” por trás do surgimento do novo coronavíus, e, mesmo sem citar os chineses diretamente, relacionou o crescimento da economia do país asiático no último ano à pandemia.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que estamos enfrentando uma nova guerra?”, questionou. “É um vírus novo. Ninguém sabe se nasceu em laboratório ou se nasceu por um ser humano ingerir um animal inadequado. Qual país que mais cresceu seu PIB [Produto Interno Bruto]? Não vou dizer.”, discursou.

O PIB da China cresceu algo em torno de 2,3% em 2020, e mais de 18% só no primeiro trimestre de 2021.

Num cenário em que o Brasil é absolutamente dependente dos chineses para manter a vacinação da população, não parece muito inteligente esse tipo de provocação, principalmente levando-se em consideração a total falta de dados concretos sobre o que afirma o chefe do Executivo federal brasileiro.

Contida num discurso feito apenas dias após manifestações de rua pró-Bolsonaro, no entanto, a fala parece mais uma forma de injetar ânimo nos apoiadores. Que não parecem lá muito preocupados com os rumos que o país pode tomar a partir da sua gestão (ou má-gestão) durante a pandemia.

Some-se a isso uma segunda fala do presidente, novamente sobre hidroxiloroquina. Também sem base científica, ele voltou a citar o tratamento precoce como medida para o combate à pandemia e afirmou que o medicamento contribuiu para a diminuição do pico de casos no estado do Amazonas, em especial na capital, Manaus.

E está montado o cenário ideal para os bolsonaristas manterem a “guarda alta” em defesa do presidente, contra “ataques comunistas”.

Mesmo que isso custe a necessária imunização dos brasileiros.


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