Coluna do Professor Ameliano Farias: Não Estamos no mesmo Barco

Há quem ouse dizer que estamos no mesmo barco, talvez pelo fato de sermos humanos,e não estarmos imunes ao vírus.
Mas de fato estamos no mesmo barco, quando se trata de condições de tratamento e socioeconômicas?

No decorrer dos últimos dias turbulentos em que vivemos essa pandemia, são muitas campanhas de conscientização (tentando mostrar a sociedade as consequências), comoção (orações, súplica, solidariedade), promoção (pessoas que divulgam suas boas ações para aparecer), e charlatanismo ( pessoas que se aproveitam da fraqueza, inocência, sensibilidade alheia para faturar). Mas eu particularmente não vi, nem ouvi ações humanas ( se tratando das autoridades competentes) animadoras ou mesmo coerentes.

Talvez nesse momento além de ser o melhor para nós, seja mais conveniente ainda para o “sistema”que fiquemos em casa em quarentena, e não causemos despesas que para nós são necessidades.
Mas voltando ao que não vi, nem ouvi classificado por mim, como animador por parte das autoridades, quero compartilhar uma frase que me marcou na última semana, quando assistia um dos telejornais da Globo News. Nesse telejornal: Globo News em Pauta, o sociólogo e jornalista Demétrio Magnoli disse: “Mente-se quando dizem que estamos no mesmo barco. Não, não estamos no mesmo barco…os mais vulneráveis (mais pobres) estão em um barco inflável com medo da tempestade…”.

E o que mais me marcou foi sua coerência, em se colocar em um iate.
Partindo dessa colocação do célebre jornalista, podemos concluir que: a população de acordo com as condições socioeconômicas, por suas classes, existem os que ocupam navios, os que estão nos iates e os que estão a deriva em barco inflável. Que corre maior risco, perigo de acordo com a visível segurança das embarcações?

Para nossa realidade local, barreirinhense: Temos os que estão em barcos ( mais espaço, comodidade, maior tripulação, mais segurança, combustível reserva). Outros em canoas (rabetas), estes por sua vez com espaço reduzido, tripulação quase zero combustível só no tanque, nenhum movimento brusco, sobre risco de afundar. Mas por mais incrível que pareça, temos os que estão em caiaque (são aqueles, sem nenhuma vantagem, apenas a coragem para remar contra a maré). esses últimos são os mais vulneráveis àqueles que vivem em condições precárias, muitas vezes não tem nem o que comer, quanto mais condições de se manter durante o mês, com os itens básicos para fazer a higienização necessária.

Chamaria esse último grupo de ignorantes por romper a quarentena? Não, prefiro chamá-los de necessitados.
Outro ponto a ser observado é a questão dos munícipes que moram na área urbana e os que residem na área rural. Os que vivem na área urbana desfrutam no momento do sistema Delivery nos supermercados (entrega em domicílio), e quem vive na área rural?
O que as esferas municipal e estadual estão fazendo ou articulando para amenizar a situação das famílias mais vulneráveis? Quais serão os programas ofertados? Quais serão os planos de contingência?

A saída para pandemia é que as pessoas fiquem em casa e que os microempreendedores, fechem seus empreendimentos, ok. Mas o que será feito por essa pessoas que tiram o sustento dali?

As responsabilidades dos poderes públicos municipal e estadual, vai além de publicar decretos e fiscalização de sua aplicação, vai além de dispôr números telefônicos. Mas suas respectivas responsabilidades está na criação de políticas públicas sociais, que atendam as necessidades das famílias que não tem condições suplementar durante o período de quarentena!
Penso que é hora de haver um cadastro dessas famílias pela secretaria municipal de assistência social, para o socorro no momento propício.

Campanhas em todos os veículos de comunicação, pela assessoria de comunicação. Panfletagem pelas equipes de saúde!
Manter a farmácia básica com os medicamentos básicos ( remédio para pressão,que ultimamente vive em falta, sem previsão).

Atendimento médico domiciliar, ou via celular, para que não haja, automedicação.
Quero dizer para quem acredita: o povo não gosta de passear em unidades de saúde e hospitais não!
A esfera estadual cabe: baixar o ICMS dos combustíveis, gás de cozinha.
Redução de impostos sobre produtos da cesta básica e suspensão imediata das faturas de água e luz para quem recebe até um salário mínimo.

Isso sim são ações concretas que irão trazer tranquilidade, nesse momento de calamidade no mundo, no Brasil, no estado, e ao que tudo indica no município!
Quando você não come um determinado alimento, mas, faz para seus filhos e antes que eles próvem você diz: “tá aqui, podem comer”! Não vou comer com vocês porquê é muito ruim. Qual a probabilidade deles comerem? Não estaria influenciando suas decisões?

4 thoughts on “Coluna do Professor Ameliano Farias: Não Estamos no mesmo Barco

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