Em tempos de coronavírus outra infecção respiratória ameaça a saúde dos bebês

Neste início de outono, ainda que em grande parte do nordeste as estações não sejam bem definidas, não apenas o novo coronavírus se transformou em ameaça à saúde da população. Esta estação do ano marca a circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) nos estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Na região Sul, o vírus passa a circular de forma mais intensa em abril.

A infecção pelo VSR tem efeitos devastadores sobretudo em bebês prematuros ou nascidos com cardiopatias congênitas, sendo uma das principais causas de re-hospitalizações frequentes (em alguns casos, pode ser fatal), podendo resultar problemas respiratórios por longos períodos (até 10-12 anos de idade). O contágio é pelo ar ou por objetos e superfícies que possam estar contaminadas (como de brinquedos, maçanetas de portas).

Embora não haja tratamento para infecção do VSR – somente para controle dos sintomas –, as crianças de riscos podem receber uma profilaxia com um anticorpo monoclonal específico, capaz de prevenir as formas mais graves da doença, reduzindo as taxas de hospitalização. A profilaxia está prevista no calendário para prematuros da Sociedade Brasileira de Pediatria

“O Sistema Único de Saúde (SUS) e os planos privados de seguro-saúde fornecem essa profilaxia gratuitamente para crianças com menos de 1 ano de idade e que nasceram com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas e 6 dias, ou até os 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou doença cardíaca congênita. Mas, para toda a população, lavar as mãos corretamente é a melhor medida”, afirma a pneumopediatra Dra. Débora Chong.

Pesquisa Datafolha, realizada em outubro de 2019, mostra que cerca de 1/3 dos brasileiros tiveram conhecimento de pelo menos um caso de nascimento prematuro nos últimos cinco anos. Dados da SBP revelam que, por ano, nascem cerca de 30 milhões de bebês prematuros ou com baixo peso ou adoecem logo nos primeiros anos de vida em todo o mundo. Em 2017, 2,5 milhões de recém-nascidos morreram nos primeiros 28 dias de vida – 80% por baixo peso ao nascer e 65% por prematuridade.

O levantamento do Datafolharevela que a bronquiolite, uma das principais doenças causadas pelo VSR, é conhecida por metade dos brasileiros (51%), mas o vírus ainda é pouco conhecido (24% dos brasileiros). Mesmo entre aqueles que conhecem a doença, 68% não conhecem VSR. O Instituto Datafolha ouviu 2086 pessoas (52% de mulheres), com idade média de 42 anos, de todas as regiões brasileiras, entre 7 e 14 de outubro de 2019.

Infecção por VSR

A bronquiolite é uma infecção nos bronquíolos, ramificações dos brônquios que levam oxigênio aos pulmões. A infecção provocada pelo VSR causa excesso de muco e estreitamento nos bronquíolos, comprometendo a absorção de oxigênio. Entre os sintomas, o bebê fica com dificuldade para respirar e falta de ar. Depois da bronquiolite instalada, existem somente medidas paliativas para alívio dos sintomas.

A pneumopediatra Dra. Débora Chong afirma que devem ser imunizados os bebês prematuros que nascem durante a estação do vírus e também aqueles que nasceram nos meses que antecedem a estação do ano. A imunização, mediante prescrição médica, é fornecida gratuitamente pelo SUS (conforme o calendário de cada região) e também faz parte do rol de procedimentos obrigatórios estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para planos de saúde privados.

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