Governo vai multar e até interditar estabelecimentos que descumprirem fechamento

Em entrevista coletiva, realizada no fim da tarde desta sexta-feira (3), o governador do Maranhão, Flávio Dino, estabeleceu o prolongamento das medidas de restrição das atividades comerciais e da suspensão das aulas em todas as unidades de ensino pública e privadas do estado. Em novo decreto, Flávio Dino mantém a suspensão das aulas e a circulação de transporte interestadual até o dia 26 de abril. Já o comércio de produtos e serviços não essenciais ficam suspensos até o dia 12 de abril, Domingo de Páscoa.

“Aqui no Maranhão adotamos a saída do meio termo, não fomos radicais como em outros lugares do mundo. Temos restrição e não proibição das atividades, para diminuir a propagação do vírus, para garantir que a oferta de material hospitalar seja suficiente para suprir a demanda. Se nós fraquejarmos, como outros países fizeram, o preço é alto. Tem países que estão assistindo os cidadãos morrendo nas calçadas, porque não tem como serem atendidos nos hospitais. Não queremos isso para o nosso Estado”.Ressaltou o governador.

Segundo o governador do Maranhão, se houver descumprimento das medidas, haverá aplicação de multas e até a até interdição dos estabelecimentos, em caso de resistência à aplicação das medidas. O decreto estadual tem como base a Lei Federal de Emergência Sanitária, diante do crescimento do número de pessoas infectadas com o novo coronavírus no Maranhão, onde já tem 88 casos confirmados, além de ter vários casos suspeitos sendo investigados em 82 cidades do Estado.

“Vamos intensificar a fiscalização, mas acreditem nas autoridades sanitárias e nos profissionais de saúde, todos estão dizendo a mesma coisa, a prevenção é necessária para poder atender a demanda de quem adoecer”, apelou Flávio Dino.

O governador disse, ainda, que se solidariza com quem está com sua renda comprometida por causa das medidas de isolamento, mas que isso tem que ser feito. Segundo ele, se a crise piorar ninguém vai conseguir trabalhar, pois não haverá clientes.

Estrutura hospitalar

Durante a coletiva, Flávio dino afirmou que 19 dos 20 leitos de UTI do Hospital Carlos Macieira (HCM) já estão lotados com pacientes com síndromes respiratórias. E alertou que a situação não está tão confortável com antes, pois o HCM não é suficiente para atender a demanda. O governador declarou que o hospital Doutor Genésio Rêgo está sendo preparado para, na próxima semana, estar com leitos novos disponibilizados, além disso, estão sendo preparados outros leitos nos hospitais regionais que estão espalhados em algumas cidades do Maranhão. Porém, há uma quantidade maior de oferta de leitos em São Luís, pois, 95% dos casos confirmados de coronavírus estão na capital. Os demais estão em Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Imperatriz e Açailândia.

Testagem

Flávio Dino afirmou que o Maranhão é um dos Estado que mais faz testes em casos suspeitos, pois conta com o Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão (Lacen) e ainda envia material para o Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará. O laboratório é um órgão vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (MS), que tem auxiliado na análise do material. Além disso, o governador anunciou que o Maranhão recebeu, nesta sexta, 14.400 testes rápidos que foram doados pela Vale.

Esses testes serão disponibilizados para profissionais da saúde e em casos suspeitos que estejam apresentando sintomas. Eles serão distribuídos entre hospitais da capital e hospitais regionais e macrorregionais do Estado. O governador reforçou a necessidade de proteger os profissionais de saúde, pois se eles adoecerem não haverá quem cuide das pessoas doentes.

“Já tem casos de profissionais de saúde com coronavírus que foram afastados de suas atividades. Por isso, não se pode abrir mão dos profissionais, pois são os habilitados para cuidar das pessoas, temos que focar no cuidado deles. Estamos investindo em EPIs, para dar segurança ao trabalho deles e reforçamos que a população pode usar máscaras de pano e outras que não são profissionais. Tem orientações técnicas na internet sobre como fazer e o governo também vai oferecer, de graça, máscaras não profissionais, principalmente, para os idosos”, declarou Flávio Dino.

Respiradores

De acordo com o gestor estadual, com agravamento dos casos será preciso utilizar os respiradores, e há uma luta mundial por esses equipamentos, pois são poucos diante da demanda. Flávio Dino afirmou que o Consórcio Nordeste havia feito uma compra conjunta de equipamento médicos, mas ela foi bloqueada, pois outros países como EUA estão fazendo bloqueio de compras, diante do avanço da doença.

“Tem recursos, mas não temos como adquirir os equipamentos. Infelizmente não houve, a nível nacional, investimento em empresas brasileiras para fabricarem esses equipamentos no país. E tem manobras no mercado internacional para impedir que produtos da China e de outros países cheguem até nós. A luta é cotidiana, mas reforço que esse é um dos principais itens da nossa agenda, garantir insumos médicos para oferecer tratamento dos casos graves”.Afirmou Flávio Dino.

Impactos econômicos

O governador destacou que o Brasil já tinha problemas econômicos antes da pandemia do novo coronavírus, como o PIB abaixo do que se esperava, dólar alto, entre outras questões. E, como o coronavírus a situação piorou. Ele afirmou que o governo do Estado não está satisfeito com esse controle no setor comercial, pois precisa desses setores funcionando para movimentar a economia, mas não se pode abrir a guarda para o vírus. Pois não deve haver a circulação de pessoas em larga escala.

“Desejo que nosso país volte à normalidade e para que isso aconteça, precisamos vencer o coronavírus. Ele é muito grave, se espalha muito rapidamente. Nós saímos rapidamente de 31 para 81, se aumentar muito, estaremos diante de uma situação impossível de ser adequadamente controlada. Temos que garantir o funcionamento dos serviços de saúde com seus profissionais”, destacou.

Flávio Dino afirmou que, entre as novas medidas estaduais está a autorização do serviço de delivery para restaurantes, bares, bebidas, roupas, etc. se esses serviços puderem ser ofertados por meio de entregas, eles podem ser exercidos. As óticas também poderão funcionar para cumprimento de receitas médicas. Além disso, o governo vai prorrogar a cobrança da parte do Simples, que cabe ao Estado, para empresas de porte menores.

Flávio Dino reforçou, ainda, a necessidade do governo federal fazer cumprir imediatamente a renda básica aprovada para os trabalhadores afetados pela pandemia. “O caminho que todos os países do mundo estão fazendo é garantir renda para os trabalhadores autônomos e os demais afetados. Eu apelo para que o governo federal faça valer a lei de dar renda a esses trabalhadores”, pediu.

Por fim, o governador do Maranhão apelou aos maranhenses que tenham consciência da gravidade do problema e estejam todos em espírito de cooperação e não desrespeitem as medidas, para que o Estado não sofra com em outros lugares. “É uma causa da sociedade, é de interesse de todos que aqui moram. Por isso convido vocês para permanecermos unidos. Estamos no momento de desafio, de crescimento dos casos, e temos que ter prudência, cuidado e respeito com os cidadãos. Temos que nos engajar, para podermos atravessar mais uma semana com o comércio fechado, para evitar aglomerações”, enfatizou Flávio Dino.

imirante.com

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