Hidroxicloroquina já é ministrada em hospitais do MA para pacientes graves

A polêmica envolvendo a hidroxicloroquina para tratamento do novo coronavírus continua no mundo. Alguns especialistas alegam que o medicamento é eficaz para aliviar os sintomas da Covid-19. Outros, porém, dizem que as evidências não possuem fundamento. Apesar de não haver um consenso na comunidade científica, esses imunossupressores, seu grupo farmacológico, estão sendo utilizados em hospitais para pacientes graves infectados pela doença, como está acontecendo no Maranhão.

Sobre o medicamento, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que a substância já é ministrada em todos os pacientes graves, nos hospitais da rede estadual, com diagnóstico do novo coronavírus. De acordo com o órgão, a ministração de 400mg da hidroxicloroquina segue o protocolo do Ministério da Saúde. “A SES ressalta que o protocolo para tratamento dos pacientes de Covid-19 utilizado no Hospital Dr. Carlos Macieira é o modelo norteador do atendimento nas unidades da rede estadual e está disponível no site da Secretaria, no ícone Protocolos de Atendimento”, pontuou.

No Hospital São Domingos (HSD), situado na capital maranhense, existe a disponibilidade das referidas medicações para o tratamento contra a Covid-19, como a empresa informou em nota. “Estão sendo utilizadas em casos específicos, de acordo com protocolo e após avaliação e decisão conjunta da equipe médica”, declarou.

Perigos da automedicação

Entrevistada pelo Jornal O Estado, a farmacêutica generalista Elcynez Campos Silva explicou que o medicamento é registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento de artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. Fora desse campo de abrangência e apesar de promissores, não existem estudos que comprovem o uso da hidroxicloroquina, sem evidências conclusivas, sobre a sua eficácia com relação ao coronavírus, muito menos sobre a segurança da utilização dessas drogas em pacientes contaminados pela Covid-19, como frisou ela.

“Por isso, é um dos objetos de vários estudos em andamento, para tratamento da Covid-19. Sendo assim, a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde”, enfatizou Elcynez Campos Silva, pós-graduada em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica.

Testes em pacientes

A farmacêutica pontuou que os primeiros testes com hidroxicloroquina foram realizados por alguns estudantes da França, que fizeram o procedimento em 40 pacientes graves, todos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e entubados. Os resultados, segundo ela, foram contundentes. Isso significa que os infectados pelo novo coronavírus reagiram muito bem ao medicamento e foram curados. “Porém, devemos lembrar que esse medicamento tem seus efeitos adversos, sendo alguns bem graves, como a arritmia cardíaca, podendo levar o paciente ao óbito”, destacou Elcynez Campos.

Ela também ressaltou que em alguns pacientes que tiveram o teste positivo para a Covid-19, do tipo assintomáticos, não graves ou graves, o medicamento não está tendo a mesma eficácia com relação a outros infectados que receberam os imunossupressores. “Alguns reagem melhor com a associação de hidroxicloroquina e azitromicina, trazendo resultados excelentes. Por isso, a importância do farmacêutico para a dispensação desse medicamento que hoje é obrigatório, em um receituário especial, com duas vias. Todos da área da Farmácia estamos unidos no mesmo objetivo, que é a conscientização e a cura do coronavírus”, expressou a entrevistada.

A farmacêutica declarou que a hidroxicloroquina ou cloroquina, nesse momento, são uma incógnita, porque há pacientes que reagem bem, enquanto outros não. Devido a essa oscilação, o tratamento fica por conta do médico, dependendo do quadro clínico da pessoa contaminada.

Falta em farmácias

Sendo comprovada ou não a eficácia do medicamento, o fato é que os médicos estão prescrevendo hidroxicloroquina, usada no combate ao lúpus e artrite reumatoide. Na região metropolitana de São Luís, o imunossupressor está em falta nas prateleiras das farmácias, como verificou o Jornal O Estado. Em nenhuma das visitadas pela equipe de reportagem, havia unidades. Vendida sob o nome comercial Reuquinol, a hidroxicloroquina está sendo muito procurada.

Em média, o preço é R$ 78,85, mas, com desconto, fica por R$ 69,30. Nesses estabelecimentos comerciais, o produto foi zerado rapidamente em poucas horas, após a chegada dos clientes. “Em alguns locais, quando vemos no sistema que há apenas uma unidade do medicamento, pode ter certeza de que será comprado em poucos instantes. A demanda aumentou bastante nos últimos dias”, declarou uma farmacêutica entrevistada pelo jornal.

Ela frisou que, embora esteja sendo muito procurada, a hidroxicloroquina só pode ser comercializada com prescrição médica. Isso acontece porque está classificada na categoria conhecida como “Controle Especial”, da lista C 1. Em outra farmácia visitada pela equipe, localizada às margens da Avenida Castelo Branco, no bairro São Francisco, as cinco unidades que chegaram ao estabelecimento na quarta-feira, 8, foram rapidamente vendidas.

À tarde, não havia mais nenhuma caixa do produto. Apesar dessa demanda, não há resultados conclusivos para as pesquisas com o medicamento, usado principalmente contra a malária.

O medicamento

A hidroxicloroquina é usada em tratamento contra malária. Também é indicada para pessoas que tenham doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso. Ela é muito confundida com a cloroquina, embora os benefícios clínicos sejam parecidos. Por outro lado, os efeitos adversos no organismo dos pacientes são distintos. A hidroxicloroquina, segundo alguns estudos científicos, é considerada um pouco mais segura, com menos efeitos colaterais.

As pesquisas mostram que os dois medicamentos podem causar problemas como distúrbios de visão, irritação gastrointestinal, alterações cardiovasculares e neurológicas, cefaleia, fadiga ou nervosismo. A hidroxicloroquina, que foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como produto controlado, possui contraindicações, como para pacientes que tenham menos de 6 anos de idade ou quem é alérgico a cloroquina.

Devido aos efeitos colaterais, um hospital da França interrompeu o tratamento experimental usando hidroxicloroquina para pacientes com coronavírus. Foi verificado que o eletrocardiograma dos pacientes analisados apresentou anomalias, o que comprova a conclusão de alguns estudos no mundo que mostram que o medicamento tem potencial para levar uma pessoa à morte súbita cardíaca em determinados infectados.

Tratamento contra coronavírus

Até o momento, não existe uma medicação específica para o vírus. O tratamento é feito com base nos sintomas de cada paciente. De acordo com o infectologista Wladimir Queiroz, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, existe a cura espontânea, mas ainda não há um tratamento medicamentoso definido. Nesse contato, há drogas que provavelmente funcionam, mas sem confirmação científica. Por este motivo, são utilizados medicamentos para dor e febre (antitérmicos e analgésicos).

Por este motivo, o Ministério da Saúde recomenda repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas. Importante dizer que o diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios com potencial de aerossolização (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro).

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