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Guerra Mundo

Israel retoma bombardeios após acusar Hamas de violar acordo: ‘Sofrerá o maior de todos os golpes’

Os combates foram retomados na Faixa de Gaza na manhã desta sexta-feira, imediatamente após o término de uma trégua de uma semana entre Israel e o Hamas, com mais de 60 palestinos mortos até o momento, de acordo com as autoridades do movimento islâmico fundamentalista no enclave.

— Infelizmente, o Hamas decidiu encerrar a pausa ao não liberar todas as mulheres sequestradas — disse o porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, em uma entrevista coletiva nesta sexta. — Tendo escolhido reter nossas mulheres, o Hamas agora sofrerá o maior de todos os golpes.

A trégua começou a vacilar na quinta-feira, quando o Hamas reivindicou a responsabilidade por um ataque em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia ocupada, no qual quatro israelenses foram mortos. No entanto, o movimento islâmico disse que estava pronto para estender a trégua, mediada pelo Catar, Egito e EUA, após um apelo do secretário de Estado americano, Antony Blinken, que viajou a Tel Aviv e Rammallah na quinta para se reunir com as autoridade de Israel e da Palestina, separadamente.

Já nas primeiras horas desta sexta, o exército israelense começou a enviar mensagens para os telefones dos moradores de alguns bairros da Cidade de Gaza, no norte do enclave, e de cidades que fazem fronteira com Israel, no sul, pedindo que eles “saíssem imediatamente”, pois seriam realizados “ataques militares pesados”.

As Forças Armadas também publicaram em seu site, em árabe, um “mapa de áreas a serem esvaziadas” para que os habitantes de Gaza pudessem fugir de áreas específicas para sua própria segurança.

Em resposta, Ezzat el Richq, líder da Jihad Islâmica Palestina, outro movimento armado em Gaza, disse que Israel “não alcançará, ao retomar a guerra”, os objetivos que “não conseguiu alcançar antes da trégua”.

Durante o cessar-fogo de uma semana, intermediado pelo Catar com o apoio do Egito e dos EUA, o Hamas libertou 80 reféns em troca de 240 prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses.

‘Pesadelo’ e correria

 

A retomada dos combates na Faixa de Gaza após uma trégua de uma semana entre Israel e o Hamas mergulhou o território palestino novamente em um “pesadelo”, disse à AFP o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nesta sexta-feira.

— As pessoas estão no seu limite, os hospitais estão no seu limite e toda a Faixa de Gaza está em um estado muito precário — afirmou o diretor-geral do CICV, Robert Mardini, à margem da COP28 em Dubai.

Também faz com que os habitantes de Gaza voltem “à situação de pesadelo em que se encontravam antes da trégua”, disse ele, lembrando o “sofrimento, medo, ansiedade e condições de vida precárias” da população.

— Não há lugar seguro para os civis [na Faixa de Gaza] — acrescentou Mardini, observando os enormes desafios enfrentados pelos hospitais e organizações humanitárias. — [Nos hospitais] vimos centenas de pessoas gravemente feridas chegando nos últimos dias [e isso] excedeu a capacidade real dos hospitais de receber e tratar os feridos.

Mais de 60 palestinos morreram em Gaza desde que a trégua de uma semana com Israel terminou na manhã desta sexta-feira, informou o Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas. Ainda segundo a Pasta, há “dezenas de feridos em ataques aéreos contra civis”.

Por toda parte, homens, mulheres e crianças começaram a fugir, desesperados, desde as 7h (2h em Brasília), quando expirou a trégua de uma semana. Em meio aos escombros, um homem pede socorro e busca por seus filhos.

— Há bombardeios por todos os lados, não temos comida, nem água, nem roupa. As lojas estão vazias, faz frio, o posto fronteiriço [com o Egito] está fechado — disse à AFP Marwa Saleh, de 47 anos, ao chegar a Khan Yunis, no sul, após ser deslocada da Cidade de Gaza, no norte, pela guerra. — Quando o mundo nos verá como seres humanos? Minha família e eu somos civis, não temos nada a ver com esta guerra.

A trégua pausou a guerra que começou em 7 de outubro, após um ataque sem precedentes do Hamas ao território israelense, no qual 1.200 pessoas, a maioria civis, foram mortas e cerca de 240 foram sequestradas, de acordo com Israel.

Em retaliação, Israel, que prometeu “aniquilar” o Hamas, bombardeou incessantemente o enclave palestino até que o cessar-fogo temporário entrasse em vigor. Cerca de 15 mil pessoas foram mortas na Faixa de Gaza, de acordo com o governo do Hamas.

A retomada das hostilidades também ameaça o fluxo de ajuda humanitária para Gaza, onde cerca de 80% da população foi deslocada e enfrenta escassez de alimentos, água e outras necessidades básicas.

— Com a retomada das hostilidades, é provável que menos ajuda chegue a Gaza — estimou Mardini. — Além disso, as organizações humanitárias verão uma redução em sua capacidade de fornecer ajuda à população. (Com AFP).(O GLOBO).

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