Já tem transmissão comunitária da Covid-19 no Maranhão, afirma secretário da SES

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (30), o secretário estadual de Saúde, Carlos Lula, afirmou que já há transmissão comunitária de coronavírus no Maranhão, ou seja, quando não é possível identificar a origem do contágio. Segundo Carlos Lula, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MA) constatou que há casos de pessoas que não viajaram para outros lugares, mas testaram positivo para a Covid-19.

“Podemos afirmar, com toda certeza, que temos transmissão comunitária no Maranhão. O Brasil já se posicionou a esse repeito, em portaria do Ministério da Saúde, reconhecendo a transmissão comunitária no Brasil como um todo, mas a gente não tinha certeza absoluta de que isso havia acontecido no Estado. Mas nos testes que tivemos resultado positivo, no dia de ontem (29), a gente teve essa certeza que houve casos, inclusive de pessoas que não viajaram para outro lugar, nem para o exterior nem dentro do país, mas que mesmo assim testaram positivo para a Covid-19”, explicou o secretário.

Em relação aos testes rápidos, os quais o Ministério da Saúde se comprometeu em adquirir e repassar para os Estados, o secretário afirmou que há um “frenesi” em relação à aquisição do teste no Maranhão. Ele afirmou que esses testes devem ser utilizados somente em pacientes graves e em profissionais de saúde, pois não tem uma quantidade suficiente para fazer em todo mundo. E essa medida é com base no protocolo do Ministério da Saúde. Já os demais pacientes serão submetidos ao teste PCR, que já é feito no Estado e demora até 48h para se ter o resultado, sendo que os testes vão ser feitos somente em casos que tiverem necessidade de serem testados.

Além disso, o secretário alertou que os testes rápidos, que dá o resultado em 15 minutos, apresentam margem alta de falsos negativos, como se viu na Espanha. Isso pode levar as equipes de saúde a liberarem um paciente para casa por acreditar que ele não tem coronavírus e, na hora, esse paciente tem a doença.

Outra questão apresentada por Carlos Lula foi sobre a demora no envio de EPIs e UTIs para o Maranhão, por parte do Governo Federal. “Há uma lentidão em relação ao Ministério da Saúde em entregar as EPIs e UTIs. Foram prometidos 40 leitos de UTIs no Estado, mas ainda não chegaram, assim como não chegou em outros Estados. Nos parece que o Ministério da Saúde tem concentrado seus esforços no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o Norte e Nordeste ainda não receberam”, explicou o titular da SES.

O secretário mais uma vez falou do desserviço que é a disseminação de notícias falsas sobre o coronavírus e reforçou a importância do trabalho da imprensa na divulgação de informações corretas. Além disso, ele ressaltou que o posicionamento do Governo do Estado do Maranhão é de absoluta transparência em relação à divulgação dos casos, não havendo omissão de informações para a população. Carlos Lula falou, ainda, que há, a nível mundial, uma subnotificação dos casos, sendo que no Maranhão não é diferente.

Protocolo de sepultamento

Outro ponto abordado durante a coletiva de imprensa foi sobre a adoção de um protocolo de sepultamento no Estado.

“A gente não gostaria de ter que fazer, mas é necessário. Isso já acontece em outros Estados, e a gente vai ter um protocolo estabelecido também para os casos suspeitos. Não vai ser permitido o velório em ambiente domiciliar, será por 10 minutos com, no máximo, 10 pessoas da família com o caxão lacrado. Isso quer dizer que, se houve o falecimento de qualquer pessoa no Estado do Maranhão com síndrome gripal e o médico disser que é possível ser coronavírus, imediatamente o sepultamento terá de ser feito dessa forma”, explicou o secretário.

Carlos Lula também reforçou a importância do isolamento social afirmando que há, sim, uma preocupação com a economia, mas sem vidas não adianta nada. É importante tomar conta da vida dos maranhenses, por isso são tomadas as medidas sanitárias com base na ciência e não no que se acha, para poder se agir de maneira correta. O secretário afirmou que há um desejo de todos em voltar ao normal o mais rápido possível, mas isso só acontecerá se houver segurança para cada cidadão em relação à transmissão do coronavírus. A meta é fazer com o que o cidadão circule pelas ruas sem correr risco de contágio.

 

 

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