Mais de 100 pessoas tiveram câncer de pele este ano no MA

Próximo ao início do verão, o Dezembro Laranja tem o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção contra o câncer de pele. Com a alta exposição ao sol, a pele, maior órgão do corpo humano, pode acabar se tornando vítima do câncer. No Maranhão, de acordo dados da Secretária de Estado da Saúde (SES), baseado no Painel Oncologia, que monitora os tratamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde, até maio deste ano foram registrados 124 novos casos de câncer de pele.

Contudo, apesar do número de novos casos registrados, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estimou 70 novos casos de câncer de pele não melanoma para o Maranhão em 2020. Em 2019, segundo a SES, foram registrados 791 casos da doença no estado. Sendo o câncer mais incidente no país, de acordo com o Inca, no Brasil, pelo menos 180 mil pessoas são afetadas pela doença todos os anos, cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados.

O principal fator para o câncer de pele é a exposição prolongada ao sol, principalmente na infância e adolescência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, mais de 60% dos brasileiros não usam nenhum tipo de proteção no cotidiano. No caso do Maranhão, o dermatologista Eduardo Lago explica que há um maior risco devido o nível de radiação ultravioleta. “Os níveis de radiação ultravioleta é muito alto em nosso estado, durante o ano inteiro. Assim, os cuidados de proteção precisam ser maiores”.

O médico ainda ressaltou a necessidade do uso do protetor solar e acessórios que protejam contra o sol mesmo em dias nublados. “Primeiro, é necessário tentar evitar exposição direta aos raios solares, principalmente entre 9:00 e 15:00. Uso regular de filtro solar com fator de proteção solar igual ou superior a 30, precisando ser reaplicado em intervalos regulares, e usar roupas e chapéus adequados se ficar exposto diretamente”.

O câncer de pele

Conforme Eduardo Lago, o câncer de pele ocorre quando as células da pele sofrem transformação e começam a se multiplicar de forma desordenada e deixam de exercer suas funções. Ele explica, que a exposição prolongada no sol, mesmo que de forma não contínua, ainda pode causar a doença.

“Algumas pessoas se expõem ao sol de forma continuada por longo período, à vezes por muitos anos. É o caso de algumas profissões como carteiros. Estes, se não tiverem cuidado, podem ter mais chance de ter câncer de pele. Outras pessoas se expõem ao sol esporadicamente, às vezes somente nas férias, mas quando o fazem, exageram, e ficam com a pele muito avermelhada e queimada, especialmente aqueles de pele muito clara. Se estas exposições exageradas com queimaduras ocorrem desde a infância, aumentam a chance de câncer de pele”, ressaltou o médico.

O surgimento de feridas que não cicatrizam ou sinais que mudam de cor ou crescem muito, ou ainda que apresentam formato irregular, são os principais sinais do câncer de pele. O Dermatologista orienta que após perceber esses sintomas, o paciente deve imediatamente procurar um médico. “O paciente deve procurar o Dermatologista o mais rápido possível. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais chance de cura”, ressaltou.

Segundo ainda com o médico, o tratamento ocorre, na maioria das vezes, com cirurgias e remoções. “Sempre que possível, o tratamento é a cirurgia com remoção completa da lesão. Porém, outras vezes é necessária a radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia”.

Tipos de câncer de pele
O oncologista Sergio Jobim Azevedo, líder do grupo de pele da Oncoclínicas, explicou que existem dois tipos de câncer de pele, melanoma e o não melanoma (mais comum e com maior chance de cura).

O câncer de pele não-melanoma costuma apresentar como sintomas lesões cutâneas com crescimento rápido, feridas que não cicatrizam e que podem estar associadas a sangramento, coceira e algumas vezes dor. Esses sinais geralmente surgem em partes do corpo que costumam ficar mais expostas ao Sol, tais como rosto, pescoço e braços.

Já o câncer tipo melanoma é menos comum de acontecer, costuma representar 3% dos casos de câncer de pele, porém tem um nível maior de letalidade devido sua agressividade. Esse tipo da doença costuma se manifestar através de pintas escuras que apresentam modificações ao longo do tempo.

“Esse tipo de tumor pode aparecer na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Feita pela própria pessoa ou pelo profissional de saúde, a observação regular das pintas do nosso corpo permite identificar novos sinais ou mudanças previamente não existentes. Isto deve ser levado à atenção do médico para que, havendo necessidade, sejam realizados exames mais complexos e, assim, obter o diagnóstico necessário”, reforça Sergio Azevedo.

SAIBA MAIS

Mitos e Verdades

O Grupo Oncoclínicas, em conjunto com o oncologista Sergio Azevedo, esclareceu algumas dúvidas comuns sobre o câncer de pele, são eles:

“É preciso usar protetor em dias nublados”

Verdade. Os raios ultravioletas, principalmente o UVA, estão presentes na mesma intensidade em dias nublados, portanto, o uso de protetor solar é imprescindível.

“O risco é maior no verão”

Verdade. O que determina maior risco de incidência de câncer de pele é o índice ultravioleta (IUV), que mede o nível de radiação solar na superfície da Terra. Esse índice é mais alto no verão, porém pode ser alto em outras épocas do ano.

“Quem tem pele, cabelo e olhos claros corre maior risco de ter câncer de pele”

Verdade. Mas atenção: isso não significa que quem possui características diferentes destas está imune ao câncer de pele.

“Pessoas pretas e pardas não precisam usar protetor solar”

Mito. Independentemente da cor da pele, todas as pessoas têm de usar protetor solar para se proteger. Apesar de o câncer de pele ser menos comum entre pessoas com maior quantidade de melanina presente na pele isso não as torna imunes ao carcinoma espinocelular, carcinoma basocelular e o melanoma. Por isso, a regra vale para todos os indivíduos: evite ao máximo a exposição desprotegida ao sol ou por fontes artificiais.

“Toda pinta escura é câncer de pele”

Mito. A pinta precisa ser examinada pelo médico do paciente ou dermatologista para avaliação. Somente após esta avaliação o especialista indicará a retirada ou não da pinta. É preciso atenção com pintas que coçam, que crescem, que sangram. Um jeito de identificar se uma pinta ou mancha pode representar algum perigo é utilizar a escala do ABCDE:

A de assimetria entre as metades da mancha
B de bordas irregulares
C de cores, que avalia a variação da coloração
D de diâmetro
E de evolução (mudança no padrão de cor, crescimento, coceira e sangramento)

NÚMEROS

124 novos casos de câncer de pele foram notificados em maio no Maranhão
791 casos da doença foram confirmados em maio no estado

 

 

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