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Maranhão não dispõe de dados sobre a nova cepa da Covid-19

No dia 20 de março do ano passado, o Maranhão foi atingido de forma oficial pela versão que se presume ser a original do vírus causador da Covid-19. Quase um ano depois, uma nova variante do agente de uma das pandemias mais devastadoras da história assusta a população local, pelo seu grau severo de manifestação dos sintomas e, principalmente, pelo descontrole.

Órgãos sanitários e especialistas ainda se dedicam a estudar qual a melhor forma de combate à primeira e segunda versões do coronavírus. Infectologistas, por exemplo, ainda não sabem se a vacina, aplicada em ritmo lento no território nacional (incluindo o Maranhão), é de fato eficaz às duas versões.

A velocidade de disseminação da segunda versão do vírus é tamanha que até mesmo as instituições de controle e monitoramento não são precisas quanto as informações. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) admitiu a O Estado que não é possível, até o momento, calcular quantas pessoas estão infectadas com a doença em sua versão mais recente.

A chamada “segunda onda” ou “onda mais recente” da Covid-19 é analisada pela SES e outros órgãos sob o ponto de vista de sua manifestação, perfil de infectados e número de mortes, considerando as faixas etárias. Segundo a SES, o fato de que, nos últimos meses, foi registrado um crescimento “abrupto” na quantidade de ocorrências da doença entre os jovens (com perfis que excluem, por exemplo, doenças autoimunes e principalmente consideradas de risco) levam as autoridades a concluírem o grau nocivo desta versão, em comparação ao primeiro vírus.

A variação, denominada de P.1, tem como nascedouro oficial no Brasil, segundo o Ministério da Saúde (MS) o território amazonense, no entanto, com a ausência de estudos mais aprofundados e qualificados e, principalmente, com a falta de controle sanitário, a cepa se disseminou por outras partes do país, chegando ao Maranhão.

Nas últimas semanas, coincidência ou não, o número de internações e ocupações de leitos de UTI na Grande Ilha e em outras partes do estado aumentou. Até o fechamento desta edição, mais de 90% das vagas de UTI na Região Metropolitana de São Luís e em Imperatriz estavam ocupadas na rede pública.

Por enquanto, na capital, em especial, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís mantêm as medidas mais restritivas, no entanto, em grau menor ao manifestado por estes entes em 2020, quando foi necessária na cidade – por determinação judicial – a determinação de lockdown (confinamento) à população e o fechamento do acesso terrestre.

Especialistas não descartam a decretação de medidas mais duras e, para médicos, a aplicação destas ações torna-se inevitável. Enquanto isso, gestores conclamam a população.

Impacto das medidas de restrição serão sentidas em 15 dias

Em entrevista exclusiva à O Estado, o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, afirmou que em duas semanas será possível sentir os impactos positivos no controle epidemiológico nas medidas de restrição, anunciadas na semana passada pelo governador Flávio Dino e ampliadas pelo chefe do Executivo nesta sexta-feira (12). Ele não descartou a decretação de “lockdown”, no entanto, com responsabilidade social e financeira. O gestor voltou a falar em negociações para a compra autônoma de vacinas e solicitou ajuda à população na execução de medidas preventivas.

Com base nas medidas restritivas atuais (que não são do rigor do lockdown), em quanto tempo o governo espera que se revertam em queda de casos da Covid-19 e, em consequência, de ocupações de leitos?

Em todos os lugares do mundo em que medidas mais duras foram tomadas, o período de observação de uma redução do contágio em relação ao vírus foi de no mínimo 15 dias após o encerramento das medidas. Por isso, pedimos sempre que a população entenda e colabore, porque visualizar o efeito positivo dessas restrições não é algo imediato. As pessoas hospitalizadas hoje tiveram contato com o vírus semanas antes, e assim da mesma forma acontece com a ocupação dos leitos, que só diminui num espaço de tempo um pouco mais esticado. Em termos de saúde pública, é improvável termos resultados imediatos com a adoção de quaisquer medidas. É preciso confiar na ciência e olhar o exemplo de quem tomou medidas semelhantes. Elas dão certo.

Qual o orçamento para a compra de doses de vacinas diretamente com empresas? Quantas seria possível serem adquiridas com este valor? Foi feito estudo de mercado para saber qual contempla preço e eficácia?

O Governo do Maranhão reservou pelo menos 50 milhões de reais para aquisição de doses e segue em diálogo com representantes de empresas farmacêuticas de todo mundo, na tentativa de adquirir vacinas para o estado que tenham segurança e eficácia. O objetivo, neste momento, é adquirir o maior número de doses possíveis, sabendo que competimos com várias nações, e que não há doses disponíveis para pronta entrega. Já fizemos contato com a Rússia, com a China, com os Estados Unidos, com a Inglaterra. Temos tentado de todo modo. Infelizmente a atitude errática do Governo Federal desestimula a venda para o Brasil. O planejamento equivocado do Ministério da Saúde nos rendeu um dos últimos lugares da fila da vacinação. É com esta realidade que, infelizmente, temos de lidar.

Há chance de decretação de novo lockdown na Ilha ou sugestão da medida por parte da gestão de saúde?

Nenhuma medida é descartada por completo, mas precisamos de estratégias que reduzam o contágio, ao mesmo tempo em que não podemos nos furtar da responsabilidade social, dada a crise econômica no país. Não dá para impor medidas sanitárias sem se preocupar com suas consequências econômicas e sociais. Metade da mão-de-obra maranhense é informal e sofre com muito mais intensidade por causa das medidas que afetam a atividade econômica. De todo modo, dentro da competência da saúde, nossa equipe técnica e o comitê científico avaliam semanalmente o cenário epidemiológico. Isso é importante em virtude da dinâmica da doença. Independente de um novo lockdown, uma vasta equipe tem trabalhado diuturnamente para garantir os cumprimentos dos protocolos sanitários e reduzir o contágio da Covid-19. Aqui cito a Vigilância Sanitária Estadual, em parceria com Bombeiros, Polícia Militar, Procon e Vigilâncias Municipais de Saúde. Contudo, todo o esforço da gestão precisa ter um grande aliado no controle da doença: os maranhenses. Se a sociedade não assumir sua responsabilidade, não teremos como controlar a doença. É como a limpeza pública: não basta recolher o lixo, não sujar é fundamental. Mas nós brasileiros não nos furtamos de jogar papel na rua. É algo que precisamos mudar.

Durante a vigência do Decreto nº 36.531, qual o saldo parcial de fiscalizações? Quantos estabelecimentos foram autuados pela Vigilância?

Desde o início das ações de fiscalização da Vigilância Sanitária Estadual em cumprimento ao Decreto Estadual nº 36.531, a Vigilância Sanitária realizou 957 fiscalizações sanitárias, emitiu 57 termos de intimidação, 15 estabelecimentos foram autuados em desacordo com as normas vigentes e dois foram interditados. Mesmo com constantes alertas sobre o aumento de casos e nossa pior fase da pandemia, quatro estabelecimentos foram autuados por atendimento fora do horário estabelecido e outros seis foram flagrados com festas, shows e reuniões em desacordo com as normas vigentes. Eu preciso da ajuda de toda a sociedade. Não dá para ter esse tipo de conduta na atual fase da pandemia.

Existe estimativa de quantos casos de Covid-19 da nova cepa no Estado?

Não é possível estimar. Apenas um caso foi confirmado pelo Instituto Oswaldo Cruz e ele é suficiente para analisarmos o comportamento da segunda onda da Covid-19. O fato de termos um crescimento acelerado de novos casos, termos pacientes jovens intubados em leitos de UTI, já não parecem mais ter relação com a primeira variante, mas com a P.1 detectada em Manaus ou com outras variantes.

*Com informações do O Estado


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