Pesquisadores buscam preservação da memória de Lutz

Foto de Adolfo Lutz no Castelo Mourisco.

Passados 165 anos do nascimento e 80 da morte do médico e cientista Adolpho Lutz, pesquisadores da obra e da vida dele entendem que é necessário difundir cada vez mais seus feitos, que marcaram uma época de descobertas fundamentais na história da saúde e da ciência brasileira.

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No Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, os museólogos e biólogos Pedro Federsoni e Silvana Calixto trabalham desde 2006 e encontraram “peças raríssimas”, como diários de bancadas e materiais de trabalho. No entanto, o espaço está fechado para visitação externa para público em geral desde 2012. O que os pesquisadores optaram por fazer foi levar o acervo para exposições itinerantes e projetos especiais. “Temos, por exemplo, lá o primeiro microscópio eletrônico que identificou o vírus da poliomielite no Brasil”, diz o pesquisador.

Assista a vídeo abaixo com trecho de entrevista

Um público prioritário do museu são as pessoas com deficiência, e existem ações focadas em apresentar o acervo do instituto para eles. “O nosso museu é voltado para esse público, principalmente. Nós não estamos fechados atrás das portas. Tivemos um convite da Universidade de Sorbonne para apresentar esse trabalho para eles”, afirma Federsoni.

Colégio
Colégio “Suissobrasileiro”. Na escada, a mãe e o pai de Adolfo Lutz além de filhos e netos – Foto: Instituto Oswaldo Cruz (IOC)

A pesquisadora Silvana Calixto espera que o museu seja aberto o mais rápido possível. “Alguns documentos precisam de restauro e sala especial climatizada com luz adequada. E, por enquanto, nós não temos. Esperamos que a gente consiga”.

Como Lutz não era dado a muitas aparições públicas ou participações políticas, os registros redescobertos ao longo do tempo são frutos de uma preocupação científica e disciplinada de anotações que permitiram a produção da pesquisa do historiador Jaime Benchimol e da bióloga Magali Romero Sá. Os levantamentos, em sete anos de pesquisa, renderam 13 volumes da Obra Completa de Adolpho Lutz.

Felizmente, tudo foi documentado. Em 2 de setembro de 2018 o Brasil e o mundo entravam em choque com o incêndio no Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro. Em meio à parte da memória que virava cinzas, foram perdidos todos os originais do cientista brasileiro Adolpho Lutz, considerado pai da medicina tropical no Brasil e da zoologia médica.

O desastre sobre o material biográfico de Lutz não foi maior devido ao trabalho prévio de museólogos e historiadores que digitalizaram o acervo de Adolpho Lutz, publicando-o em livros e espaços online. todo o levantamento está guardado na Casa de Oswaldo Cruz.

O nascedouro do interesse pela obra de Lutz, para a pesquisadora Magali Romero Sá, da Casa de Oswaldo Cruz, veio do contato que ela teve com a filha do cientista, a também bióloga Bertha Lutz. Também conhecida pelo ativismo feminista, Bertha continuou a pesquisa e na manutenção da coleção dos documentos do pai. Depois que Lutz morreu, a filha levou todos os registros para o Museu Nacional.

Confira acervo virtual de Adolpho Lutz

“Eu sabia do valor daquele material, e então resolvemos trabalhar com ele. Com a ajuda dos pesquisadores do Museu Nacional, fizemos o trabalho (de coleta e registro) com o historiador Jaime Benchimol, que era pesquisador da febre amarela”. A riqueza do acervo impressionou o grupo e todo aquele conteúdo foi transformado nos 13 livros. “Colocamos o Lutz no lugar merecido de cientista de ponta”.

Ainda há materiais não publicados, incluindo os registros do Instituto Bacteriológico (de São Paulo), que podem render outras obras no futuro, segundo avalia Magali Sá e concordam os pesquisadores do instituto. As iniciativas de Bertha Lutz também merecem, segundo pesquisadores, intenso trabalho biográfico, ainda que materiais científicos dela tenham sido perdidos no incêndio do Museu Nacional.

 

 

 

 

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