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Prigojin foi assassinado por ex-espião aliado de Putin, afirma jornal americano

A morte do líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigojin, pode ter sido arquitetada pelo secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev. Após o motim dos mercenários, o ex-espião teria elaborado um plano para plantar uma bomba no avião de Prigojin. Há evidências de que Patrushev convenceu seu aliado, o presidente russo, Vladimir Putin, de que a dependência em relação aos soldados Wagner na Guerra na Ucrânia estava dando muito poder a Prigojin, e que ele estava se tornando uma ameaça ao Kremlin.

 

Trajetória do avião que caiu na Rússia — Foto: Editoria de Arte
Trajetória do avião que caiu na Rússia — Foto: Editoria de Arte

As alegações são do jornal americano Wall Street Journal (WSJ), que afirma ter entrevistado oficiais de segurança e inteligência russos e ocidentais, ex-oficiais do Kremlin e agências de inteligência ocidentais. Um europeu envolvido com a coleta de informações disse ao jornal que entrou em contato com Moscou através de ‘canais extra-oficiais’ e lhe disseram que “ele [Prigojin] precisava ser removido”.

O suposto assassinato

 

Após a tentativa de motim do Grupo Wagner em junho deste ano, Moscou não parecia ter feito muito para limitar a vida de Prigojin. Ele continuou a trabalhar em São Petesburgo e até viajou para a África a fim de inspecionar suas operações no continente. Apesar disso, o líder mercenário sabia que corria perigo.

“Ele sabia que tinha inimigos e que algo poderia acontecer com ele, mas, no que lhe dizia respeito, ele estava cumprindo as condições do acordo”, disse o ex-funcionário de Prigojin Maksim Shugaley, ao WSJ.

O agente da CIA Mowatt-Larssen afirma que o Kremlin estava mantendo Prigojin vivo para vigiá-lo e descobrir seus colaboradores. O motim havia revelado falhas no governo de Putin e insatisfações no exército, que fez pouco para impedir o avanço dos soldados Wagner.

O WSJ alega que, em agosto, Patrushev deu ordens a seu assistente para começar a planejar uma operação para eliminar Prigojin. Agências de inteligência ocidentais contam que o secretário apresentou os planos para Putin e o presidente ‘não contestou’.

Após seu tour pela África, Prigojin estava em um aeroporto em Moscou esperando a conclusão de uma inspeção de segurança em seu avião. Foi nesse intervalo que uma pequena bomba foi plantada embaixo da asa do avião, segundo oficiais de inteligência ocidentais.

A aeronave decolou pouco após as 17h e chegou à altitude de 8,5 mil quilômetros antes de cair perto da vila de Kuzhenkino. Vídeos capturados por pessoas no solo mostram o avião sem asa despencando do céu. Prigojin e outras nove pessoas morreram na queda.

Prigojin era visto com uma ameaça ao Kremlin

 

Prigojin comandava milhares de mercenários e administrava operações de extração de ouro, madeira e diamantes na África. Esse império multi-bilionário deixava muitos oligarcas russos desconfortáveis, mas era tolerado por ser um recurso de intervenção militar quando a Rússia não queria se envolver oficialmente em países como a Síria.

Quando a Guerra na Ucrânia começou em 2022, o exército russo provou-se incapaz de superar as defesas ucranianas em vários pontos do front, inclusive no avanço a Kiev. As tropas de Moscou até sofreram contra-ataques devastadores em Kharkiv e Kherson. O Grupo Wagner, por sua vez, conquistou uma série de vitórias no conflito e tomou a cidade de Bakhmut no início deste ano, após dez meses de cerco.

O sucesso no campo de batalha rendeu a Prigojin muita ‘moral’ no Kremlin, e, no verão de 2022, Patrushev começou a avisar a Putin que isso poderia ser uma ameaça ao seu governo. No entanto, o presidente ignorou as advertências.

“Todo mundo disse a Putin que era um erro ter um exército paralelo”, disse um ex-oficial do Kremlin ao WSJ. “Quando ele cospe na cara da liderança militar todo dia, tem-se um problema”.

O líder mercenário ficou famoso por suas críticas enérgicas nas redes sociais ao Chefe das Forças Armadas, Valery Gerasimov e ao Ministro da Defesa, Sergei Shoigu. Prigojin alegava que esses políticos propositalmente lhe privavam de munição e apoio no front, chamando-os de traidores.

Putin costuma permitir esse tipo de rivalidade em Moscou, pois é uma forma de impedir que seus subordinados se unam contra ele. No entanto, segundo um ex-oficial de inteligência russo, essa postura mudou quando Progojin ligou para o presidente e reclamou ‘rudemente’ sobre sua falta de suprimentos. Petruchev estava presente durante a ligação e usou a repreensão indevida para convencer seu chefe de que o líder do Grupo Wagner havia se tornado uma ameaça à autoridade do Kremlin.

O WSJ conta que a manobra do ex-espião funcionou. A partir de dezembro, Putin começou a ignorar as ligações de Prigojin e suas constantes reclamações de falta de apoio logístico. Em junho deste ano, o presidente anunciou que planejava desmantelar o Grupo Wagner e incorporar suas tropas ao Ministério da Defesa russo.

O anúncio foi a gota d’água para o líder mercenário. No dia 23 de junho, ele ordenou que os soldados Wagner marchassem rumo a Moscou, na esperança de inspirar outros motins no exército russo e capturar Shoigu e Gerasimov. Mas, após negociações intermediadas pelo presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, Prigojin cancelou o motim e pediu que seus soldados retonassem a suas bases.(o Globo)

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